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Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Vou tentar deixar um ponto complexo bem claro. Um tema muito importante sobre o funcionamento da sociedade: a depressão da tarde de domingo. Mas antes volto um pouco no tempo da lógica temporal de sucessão de eventos dentro de uma “democracia neoliberal”.

Um pobre que ganha R$10,00 no dia tem, dentro deste poder de compra, uma variedade pequena de produtos compráveis. Um pobre que ganha R$20,00 diários, tem o dobro de poder de compra aumentando também as novas possibilidades devido à oferta de novos produtos os quais seu dinheiro alcança. Esta liberdade do consumidor é o limite de todo sentido social em uma “democracia neoliberal”. E isso tem tudo a ver com a depressão de tarde de domingo Continue reading “Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo”

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Reflexão Sociopolítica V

Reflexão Sociopolítica V

Ainda que cresçamos fisicamente, a nossa identidade, incluindo a nossos valores e crenças, se origina através transformação do pensamento. Como já discutimos, muitos pensamentos são incoerentes com a realidade: o racismo, a xenofobia, o ódio cultural, todos os sentimentos e crenças do nosso imaginário social. Se quisermos curar-nos do golpe, se queremos de fato ser um melhor Brasil amanhã, temos que começar a entender como funciona o modo em que damos sentido às coisas ao nosso redor, pois há muito pensamento individualista incoerente com gritos contra a violência e contra a corrupção. Como pensamos o mundo é exatamente como damos sentido a ele. Em uma recente pesquisa da Fundação Perseu Abrano, os valores liberais como a meritocracia, o “faça você mesmo”, a competitividade e do individualismo se propagaram no imaginário social, ou no sentido comum das pessoas. No caso desta pesquisa, percebeu-se uma grande disseminação desta forma de pensar na periferia de São Paulo. No entanto, não é difícil encontrar estes pensamentos de que o “trabalho dignifica o homem”, “querer é poder” e “com esforço se consegue tudo” à uma maioria da população periférica a quem só lhe resta trabalhar na vida. Especialmente com a alta evangelização e a fácil manipulação de uma sociedade que nunca teve um longo projeto crítico de educação pública.

Como já falamos anteriormente, criticar o capitalismo e o neoliberalismo não é criticar o dinheiro, mas sim tudo aquilo que permite a pouquíssimos ter sempre muito mais e à maioria ter sempre muito menos ou quase nada. E o início de tudo é o pensamento, e as palavras com as quais pensamos automaticamente Continue reading “Reflexão Sociopolítica V”

Reflexão Sociopolítica IV

Reflexão Sociopolítica IV

Criticar o capitalismo não é criticar dinheiro. Há um sistema alheio à nossa vontade que exige e impõe o uso do dinheiro no nosso dia-a-dia, inclusive de como a gente dá sentido à gente mesmo. Nossa construção é impactada pela estrutura econômica, incluindo aquilo que nos define, fazendo com que capital seja o ponto de entendimento para palavras como: sucesso, classe, pobreza ou riqueza, bem-estar, sociedade, justiça, etc. Criticar o capitalismo não é criticar quem tem dinheiro. O que se critica são os meios que os ricos têm de ficarem mais ricos enquanto a miséria só tem aumentado em um mundo tão cheio de recursos. Está bem ter dinheiro, até porque todo mundo que não tem dinheiro está à margem, ou marginalizado, fora do sistema e, diferente do que se diz, o «pobre» e o «miserável» são reconhecidos como tal. Nenhum pobre é pobre porque quer, e muitos ricos não escolheram ser ricos. Tanto em um grupo como em outro, há uma herança de capitais. E assim como se herdam dinheiro, também se herdam dívidas. Assim como se herdam similaridades físicas, herança genética, também se herdam pensamentos, comportamentos e hábitos, herança cultural.

Perceba que toda boa história tem um fundo de luta de classes: o pobre que entrou para a alta sociedade, a moça rica que se apaixona pelo mecânico e a garota da favela que defendeu sua tese de mestrado, a divisão ideológica de um clã medieval tornando amigos em inimigos, o rico que perdeu tudo, o presidiário que tenta uma nova vida. Há muitos fatores que tornam estas histórias tão interessantes, e é surpreendente o que se pode aprender disso. Primeiro, que em cada tempo de cada história, a justiça parece fazer sentido. Se queimávamos Continue reading “Reflexão Sociopolítica IV”