Tag: Golpe

Sobre a amizade entre Lula e Geddel

Sobre a amizade entre Lula e Geddel

Em caso de que estejamos verdadeiramente pretendo discutir política, temos que compreendê-la primeiro. Em muitos aspectos, o sentido comum do brasileiro que culturalmente não discute política tende a ter certezas irrefutáveis de como se deve gerir o destino político nacional, assim as opiniões são tidas como certezas uma vez que o conhecimento é repetido ao invés de criado.

Para além das dúvidas que tenho sobre as condutas do presidente Lula, não posso aceitar tudo que uma mídia ideologizada me diz. Neste aspecto, temos também que perceber que, depois do golpe de 2016 e da nítida transformação das pautas políticas do governo, o apaziguamento das massas e o consenso das forças conservadoras por detrás do impeachment, segue-se uma campanha forte em contra do único candidato possível da esquerda para as eleições presidenciais de 2018. Não podemos dar este fato por sentado ainda que pesem sobre o ex-presidente certas acusações mal respondidas Continue reading “Sobre a amizade entre Lula e Geddel”

Advertisements
Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Vou tentar deixar um ponto complexo bem claro. Um tema muito importante sobre o funcionamento da sociedade: a depressão da tarde de domingo. Mas antes volto um pouco no tempo da lógica temporal de sucessão de eventos dentro de uma “democracia neoliberal”.

Um pobre que ganha R$10,00 no dia tem, dentro deste poder de compra, uma variedade pequena de produtos compráveis. Um pobre que ganha R$20,00 diários, tem o dobro de poder de compra aumentando também as novas possibilidades devido à oferta de novos produtos os quais seu dinheiro alcança. Esta liberdade do consumidor é o limite de todo sentido social em uma “democracia neoliberal”. E isso tem tudo a ver com a depressão de tarde de domingo Continue reading “Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo”

Pensamentos Voláteis II

Pensamentos Voláteis II

“Somos do tamanho da soma das nossas escolhas” ouvi. Como se o mundo fosse de quem corresse mais, de quem vencesse mais o vento a contravento do tempo na rampa rompendo o sucesso. “Mas há um porém”, agreguei. Se fosse apenas de vontade não haveria pobre no mundo. Se de esforço dependesse africano não era faminto. Se apenas realmente o desenvolvimento fosse em prol do quem.

Mas é pró bem, progresso não sobre o bem do bom, mas para o bem dos bens. E os bens tem prazo de validade para ser bons. E tudo se converteu em produto, há validade pra tudo: ferrugem, cansaço, estudo. Continue reading “Pensamentos Voláteis II”

Reflexão Sociopolítica VII

Reflexão Sociopolítica VII

Por que insistir no golpe? Por que insistir na ditadura? Temos uma leviana ideia de golpe como algo brutalmente e militarmente ilegítimo e de ditadura como um ambiente político de extrema violência. Não sei com relação a vocês, mas a realidade me diz que o Brasil vive tudo isto agora, porém não nos formatos que nos acostumamos a acreditar. Escutei recentemente que “Quem votou em Dilma, votou em Temer”. Realmente, no formato das eleições republicanas brasileiras, o voto recai sobre a chapa, sobre o par de pessoas que representam ideologicamente o conjunto de ideias de seu eleitor. No entanto, da forma mais simples possível, quando insistimos em golpe, insistimos no súbito redirecionamento dos programas de governo, os mesmos que fazem parte do conjunto ideológico progressista, ganhador das eleições. Se ainda Temer continuasse os programas redistributivos do Partido dos Trabalhadores, então realmente a população poderia sentir-se mais confortável com o resultado do julgamento do Impeachment no ano passado, já que puniria à suposta culpada por uma infração. A ideologia progressista percebe a educação pública como investimento futuro, já a ideologia neoliberal a vê como um gasto social. Percebe a diferença do pensamento político que se estabeleceu contra a vontade democrática? O que se percebe com as reformas impopulares de viés liberal do novo governo, é que o que se quis não foi fazer justiça a uma possível ilegalidade administrativa da presidenta, mas sim contornar o desenho das políticas públicas no Brasil: frear investigações, reformar as políticas favoráveis à manutenção das elites e do poder e reduzir o acesso das camadas populares aos capitais culturais.

No centro de toda discussão política reside a distributividade dos capitais. Capital não é só dinheiro. Capital é acesso. Educação é tão capital como renda Continue reading “Reflexão Sociopolítica VII”