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Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Vou tentar deixar um ponto complexo bem claro. Um tema muito importante sobre o funcionamento da sociedade: a depressão da tarde de domingo. Mas antes volto um pouco no tempo da lógica temporal de sucessão de eventos dentro de uma “democracia neoliberal”.

Um pobre que ganha R$10,00 no dia tem, dentro deste poder de compra, uma variedade pequena de produtos compráveis. Um pobre que ganha R$20,00 diários, tem o dobro de poder de compra aumentando também as novas possibilidades devido à oferta de novos produtos os quais seu dinheiro alcança. Esta liberdade do consumidor é o limite de todo sentido social em uma “democracia neoliberal”. E isso tem tudo a ver com a depressão de tarde de domingo Continue reading “Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo”

Pensamentos Voláteis II

Pensamentos Voláteis II

“Somos do tamanho da soma das nossas escolhas” ouvi. Como se o mundo fosse de quem corresse mais, de quem vencesse mais o vento a contravento do tempo na rampa rompendo o sucesso. “Mas há um porém”, agreguei. Se fosse apenas de vontade não haveria pobre no mundo. Se de esforço dependesse africano não era faminto. Se apenas realmente o desenvolvimento fosse em prol do quem.

Mas é pró bem, progresso não sobre o bem do bom, mas para o bem dos bens. E os bens tem prazo de validade para ser bons. E tudo se converteu em produto, há validade pra tudo: ferrugem, cansaço, estudo. Continue reading “Pensamentos Voláteis II”

Reflexão Sociopolítica VII

Reflexão Sociopolítica VII

Por que insistir no golpe? Por que insistir na ditadura? Temos uma leviana ideia de golpe como algo brutalmente e militarmente ilegítimo e de ditadura como um ambiente político de extrema violência. Não sei com relação a vocês, mas a realidade me diz que o Brasil vive tudo isto agora, porém não nos formatos que nos acostumamos a acreditar. Escutei recentemente que “Quem votou em Dilma, votou em Temer”. Realmente, no formato das eleições republicanas brasileiras, o voto recai sobre a chapa, sobre o par de pessoas que representam ideologicamente o conjunto de ideias de seu eleitor. No entanto, da forma mais simples possível, quando insistimos em golpe, insistimos no súbito redirecionamento dos programas de governo, os mesmos que fazem parte do conjunto ideológico progressista, ganhador das eleições. Se ainda Temer continuasse os programas redistributivos do Partido dos Trabalhadores, então realmente a população poderia sentir-se mais confortável com o resultado do julgamento do Impeachment no ano passado, já que puniria à suposta culpada por uma infração. A ideologia progressista percebe a educação pública como investimento futuro, já a ideologia neoliberal a vê como um gasto social. Percebe a diferença do pensamento político que se estabeleceu contra a vontade democrática? O que se percebe com as reformas impopulares de viés liberal do novo governo, é que o que se quis não foi fazer justiça a uma possível ilegalidade administrativa da presidenta, mas sim contornar o desenho das políticas públicas no Brasil: frear investigações, reformar as políticas favoráveis à manutenção das elites e do poder e reduzir o acesso das camadas populares aos capitais culturais.

No centro de toda discussão política reside a distributividade dos capitais. Capital não é só dinheiro. Capital é acesso. Educação é tão capital como renda Continue reading “Reflexão Sociopolítica VII”

Reflexão Sociopolítica I

Reflexão Sociopolítica I

Toda discussão política envolve um ponto de inflexão crucial entre a solidariedade distributiva e a legitimidade acumulativa. De um lado as políticas de um Estado forte com programas de distribuição capital -econômico em forma de renda, cultural em forma de desenvolvimento racional e competências metódicas, social em forma de reconhecimento- e do outro um Estado mínimo que não intervenha em um Mercado imponente, cuja liberdade prática favoreça a reconcentração destes mesmos capitais, incluindo os invisíveis, reproduzindo assim a desigualdade. É muito comum, no Brasil atual, a rigidez conceitual na percepção do posicionamento político alheio, especialmente entre as classes trabalhadoras, ainda que estejam de acordo em muitos elementos. Interessante incluir a classe econômica média na classe social trabalhadora, quando esta mesma, no Brasil atual, se objetiva e se autopercebe segundo seu poder aquisitivo. Como profere o sociólogo Jessé Souza, o 1% mais rico, na topografia do social, não se inclui no campo da luta política entre a classe média conservadora que retoma seus espaços e as classes populares que exigem níveis mais altos de cidadania como acesso a capitais como participação política, educação, relações estáveis de vida, renda e reconhecimento social, etc.

No entanto, estamos em crise. E o que se percebe é que não pudemos mudar muita coisa a nível cultural, das raízes escravocratas ainda presentes na prática cotidiana e que a sociedade brasileira insiste em negar. Ainda que a classe média, a nível econômico, tenha se expandido Continue reading “Reflexão Sociopolítica I”