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Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Vou tentar deixar um ponto complexo bem claro. Um tema muito importante sobre o funcionamento da sociedade: a depressão da tarde de domingo. Mas antes volto um pouco no tempo da lógica temporal de sucessão de eventos dentro de uma “democracia neoliberal”.

Um pobre que ganha R$10,00 no dia tem, dentro deste poder de compra, uma variedade pequena de produtos compráveis. Um pobre que ganha R$20,00 diários, tem o dobro de poder de compra aumentando também as novas possibilidades devido à oferta de novos produtos os quais seu dinheiro alcança. Esta liberdade do consumidor é o limite de todo sentido social em uma “democracia neoliberal”. E isso tem tudo a ver com a depressão de tarde de domingo Continue reading “Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo”

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Reflexão Sociopolítica VIII

Reflexão Sociopolítica VIII

Todo autoritarismo é ruim. Seja de esquerda, direita, militar ou religioso. Todo ambiente cujo comportamento popular está regido por uma norma única é incapaz de oferecer liberdades às individualidades e às potencialidades de cada um. Isso quer dizer que toda ordem normativa automaticamente excluirá outros comportamentos que não condizem à regra. Toda lei institui um fora-da-lei. Até o momento, tentaram-se inúmeras formas de administrar a organização da sociedade-nação, e todas elas testemunharam a luta pelo monopólio destas ferramentas de poder: a capacidade de fazer leis, a habilidade de transformar o mercado e a possibilidade de controlar os corpos e as mentes. Em outras palavras, as antigas ferramentas de poder social baseados em coerção e violência agora se travestem de sanções econômicas, reformas trabalhistas, reorganizações educacionais, redução da renda e injustiças legais (como discutido anteriormente). Todos os meios que as famílias poderosas têm de se manter no poder e limitar o desenvolvimento das camadas menos privilegiadas e ascensão aos estratos superiores, que exclui desde a classe média até os miseráveis.

 

Quando alguém detém o poder total sobre uma população dentro de um território, então seguramente encontraremos uma educação pública obrigatória cujos métodos e discursos garantam a posição suprema do grupo que detêm o poder. Continue reading “Reflexão Sociopolítica VIII”

Reflexão Sociopolítica VII

Reflexão Sociopolítica VII

Por que insistir no golpe? Por que insistir na ditadura? Temos uma leviana ideia de golpe como algo brutalmente e militarmente ilegítimo e de ditadura como um ambiente político de extrema violência. Não sei com relação a vocês, mas a realidade me diz que o Brasil vive tudo isto agora, porém não nos formatos que nos acostumamos a acreditar. Escutei recentemente que “Quem votou em Dilma, votou em Temer”. Realmente, no formato das eleições republicanas brasileiras, o voto recai sobre a chapa, sobre o par de pessoas que representam ideologicamente o conjunto de ideias de seu eleitor. No entanto, da forma mais simples possível, quando insistimos em golpe, insistimos no súbito redirecionamento dos programas de governo, os mesmos que fazem parte do conjunto ideológico progressista, ganhador das eleições. Se ainda Temer continuasse os programas redistributivos do Partido dos Trabalhadores, então realmente a população poderia sentir-se mais confortável com o resultado do julgamento do Impeachment no ano passado, já que puniria à suposta culpada por uma infração. A ideologia progressista percebe a educação pública como investimento futuro, já a ideologia neoliberal a vê como um gasto social. Percebe a diferença do pensamento político que se estabeleceu contra a vontade democrática? O que se percebe com as reformas impopulares de viés liberal do novo governo, é que o que se quis não foi fazer justiça a uma possível ilegalidade administrativa da presidenta, mas sim contornar o desenho das políticas públicas no Brasil: frear investigações, reformar as políticas favoráveis à manutenção das elites e do poder e reduzir o acesso das camadas populares aos capitais culturais.

No centro de toda discussão política reside a distributividade dos capitais. Capital não é só dinheiro. Capital é acesso. Educação é tão capital como renda Continue reading “Reflexão Sociopolítica VII”

Reflexão Sociopolítica IV

Reflexão Sociopolítica IV

Criticar o capitalismo não é criticar dinheiro. Há um sistema alheio à nossa vontade que exige e impõe o uso do dinheiro no nosso dia-a-dia, inclusive de como a gente dá sentido à gente mesmo. Nossa construção é impactada pela estrutura econômica, incluindo aquilo que nos define, fazendo com que capital seja o ponto de entendimento para palavras como: sucesso, classe, pobreza ou riqueza, bem-estar, sociedade, justiça, etc. Criticar o capitalismo não é criticar quem tem dinheiro. O que se critica são os meios que os ricos têm de ficarem mais ricos enquanto a miséria só tem aumentado em um mundo tão cheio de recursos. Está bem ter dinheiro, até porque todo mundo que não tem dinheiro está à margem, ou marginalizado, fora do sistema e, diferente do que se diz, o «pobre» e o «miserável» são reconhecidos como tal. Nenhum pobre é pobre porque quer, e muitos ricos não escolheram ser ricos. Tanto em um grupo como em outro, há uma herança de capitais. E assim como se herdam dinheiro, também se herdam dívidas. Assim como se herdam similaridades físicas, herança genética, também se herdam pensamentos, comportamentos e hábitos, herança cultural.

Perceba que toda boa história tem um fundo de luta de classes: o pobre que entrou para a alta sociedade, a moça rica que se apaixona pelo mecânico e a garota da favela que defendeu sua tese de mestrado, a divisão ideológica de um clã medieval tornando amigos em inimigos, o rico que perdeu tudo, o presidiário que tenta uma nova vida. Há muitos fatores que tornam estas histórias tão interessantes, e é surpreendente o que se pode aprender disso. Primeiro, que em cada tempo de cada história, a justiça parece fazer sentido. Se queimávamos Continue reading “Reflexão Sociopolítica IV”