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Reflexão Sociopolítica XI – Socialismo, Ditadura e Venezuela

Reflexão Sociopolítica XI – Socialismo, Ditadura e Venezuela

“Olha o que o socialismo fez na Venezuela” comentaram amigos meus, como se o epistemologicamente oposto ao capitalismo tivesse que ser perfeito. Mas voltamos à mesma tautologia falsa de culpar a Instituição Social em detrimento da integridade dos indivíduos de uma minoria da qual derivam ações nocivas à maioria reclamante. Acostumamos-nos a pensar dualmente, que o que não é bom necessariamente é ruim. Somado à falta de articulação e de compreensão sobre aquilo que é discutido, as hierarquias morais que legitimam o bem e o mal são pautadas por extremos muito intensos, e incidem na paz e na ordem cotidianas ainda que pouco entendidas pelos indivíduos. Aquele que exige que o socialismo seja perfeito não enxerga os efeitos nocivos do capitalismo desde seu ponto de vista, e é isso que colocamos em questão: a capacidade do intelecto humano de desmembrar os conceitos que são supostamente fechados ainda que caiba a cada um compreendê-los como conseguem. Há elementos benéficos do socialismo e do capitalismo, e que como em toda boa gestão necessita-se encontrar um equilíbrio onde o benefício seja comum e que o ganho não mais seja relativo.

Como já discutimos anteriormente, a política, os partidos políticos, o dinheiro, o mercado, a economia, o socialismo e o capitalismo, não são de todo ruins, e seguramente suas primeiras intenções, ou ao menos o discurso objetivo que se vende, se relacionam de algum modo com um beneficio que seria de acesso generalizado. Continue reading “Reflexão Sociopolítica XI – Socialismo, Ditadura e Venezuela”

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Reflexão Sociopolítica X – Sindicatos

Reflexão Sociopolítica X – Sindicatos

Esta greve geral foi chamada pelos sindicatos porque o imposto sindical deixou de ser obrigatório? Sim e não. Não creio que seja o único motivo para uma paralisação deste nível, e sim que este é um entre muitos fatores pelos quais houve a grande manifestação popular no último dia 28 de abril. Mas por que seria tão ruim uma greve conclamada pelos sindicatos? Quando foi que o sindicato se tornou tão ruim? Na verdade, qual é o papel social do sindicalismo na vida dos trabalhadores?

Os sindicatos nasceram exatamente porque houve a necessidade de articulação no âmbito laboral, de mobilização, e isso é de extrema importância para o bem-estar que tanto desfrutam após a conquista de tantos direitos que permitem compartir a vida profissional da vida privada, sem excessos, para que possamos “aproveitar da vida”. Mas parece que há vidas que merecem tirar mais proveito que outras, Continue reading “Reflexão Sociopolítica X – Sindicatos”

Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo

Vou tentar deixar um ponto complexo bem claro. Um tema muito importante sobre o funcionamento da sociedade: a depressão da tarde de domingo. Mas antes volto um pouco no tempo da lógica temporal de sucessão de eventos dentro de uma “democracia neoliberal”.

Um pobre que ganha R$10,00 no dia tem, dentro deste poder de compra, uma variedade pequena de produtos compráveis. Um pobre que ganha R$20,00 diários, tem o dobro de poder de compra aumentando também as novas possibilidades devido à oferta de novos produtos os quais seu dinheiro alcança. Esta liberdade do consumidor é o limite de todo sentido social em uma “democracia neoliberal”. E isso tem tudo a ver com a depressão de tarde de domingo Continue reading “Reflexão Sociopolítica IX: depressão de tarde de domingo”

Reflexão Sociopolítica VII

Reflexão Sociopolítica VII

Por que insistir no golpe? Por que insistir na ditadura? Temos uma leviana ideia de golpe como algo brutalmente e militarmente ilegítimo e de ditadura como um ambiente político de extrema violência. Não sei com relação a vocês, mas a realidade me diz que o Brasil vive tudo isto agora, porém não nos formatos que nos acostumamos a acreditar. Escutei recentemente que “Quem votou em Dilma, votou em Temer”. Realmente, no formato das eleições republicanas brasileiras, o voto recai sobre a chapa, sobre o par de pessoas que representam ideologicamente o conjunto de ideias de seu eleitor. No entanto, da forma mais simples possível, quando insistimos em golpe, insistimos no súbito redirecionamento dos programas de governo, os mesmos que fazem parte do conjunto ideológico progressista, ganhador das eleições. Se ainda Temer continuasse os programas redistributivos do Partido dos Trabalhadores, então realmente a população poderia sentir-se mais confortável com o resultado do julgamento do Impeachment no ano passado, já que puniria à suposta culpada por uma infração. A ideologia progressista percebe a educação pública como investimento futuro, já a ideologia neoliberal a vê como um gasto social. Percebe a diferença do pensamento político que se estabeleceu contra a vontade democrática? O que se percebe com as reformas impopulares de viés liberal do novo governo, é que o que se quis não foi fazer justiça a uma possível ilegalidade administrativa da presidenta, mas sim contornar o desenho das políticas públicas no Brasil: frear investigações, reformar as políticas favoráveis à manutenção das elites e do poder e reduzir o acesso das camadas populares aos capitais culturais.

No centro de toda discussão política reside a distributividade dos capitais. Capital não é só dinheiro. Capital é acesso. Educação é tão capital como renda Continue reading “Reflexão Sociopolítica VII”