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Sobre a amizade entre Lula e Geddel

Sobre a amizade entre Lula e Geddel

Em caso de que estejamos verdadeiramente pretendo discutir política, temos que compreendê-la primeiro. Em muitos aspectos, o sentido comum do brasileiro que culturalmente não discute política tende a ter certezas irrefutáveis de como se deve gerir o destino político nacional, assim as opiniões são tidas como certezas uma vez que o conhecimento é repetido ao invés de criado.

Para além das dúvidas que tenho sobre as condutas do presidente Lula, não posso aceitar tudo que uma mídia ideologizada me diz. Neste aspecto, temos também que perceber que, depois do golpe de 2016 e da nítida transformação das pautas políticas do governo, o apaziguamento das massas e o consenso das forças conservadoras por detrás do impeachment, segue-se uma campanha forte em contra do único candidato possível da esquerda para as eleições presidenciais de 2018. Não podemos dar este fato por sentado ainda que pesem sobre o ex-presidente certas acusações mal respondidas Continue reading “Sobre a amizade entre Lula e Geddel”

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Reflexão Sociopolítica XI – Socialismo, Ditadura e Venezuela

Reflexão Sociopolítica XI – Socialismo, Ditadura e Venezuela

“Olha o que o socialismo fez na Venezuela” comentaram amigos meus, como se o epistemologicamente oposto ao capitalismo tivesse que ser perfeito. Mas voltamos à mesma tautologia falsa de culpar a Instituição Social em detrimento da integridade dos indivíduos de uma minoria da qual derivam ações nocivas à maioria reclamante. Acostumamos-nos a pensar dualmente, que o que não é bom necessariamente é ruim. Somado à falta de articulação e de compreensão sobre aquilo que é discutido, as hierarquias morais que legitimam o bem e o mal são pautadas por extremos muito intensos, e incidem na paz e na ordem cotidianas ainda que pouco entendidas pelos indivíduos. Aquele que exige que o socialismo seja perfeito não enxerga os efeitos nocivos do capitalismo desde seu ponto de vista, e é isso que colocamos em questão: a capacidade do intelecto humano de desmembrar os conceitos que são supostamente fechados ainda que caiba a cada um compreendê-los como conseguem. Há elementos benéficos do socialismo e do capitalismo, e que como em toda boa gestão necessita-se encontrar um equilíbrio onde o benefício seja comum e que o ganho não mais seja relativo.

Como já discutimos anteriormente, a política, os partidos políticos, o dinheiro, o mercado, a economia, o socialismo e o capitalismo, não são de todo ruins, e seguramente suas primeiras intenções, ou ao menos o discurso objetivo que se vende, se relacionam de algum modo com um beneficio que seria de acesso generalizado. Continue reading “Reflexão Sociopolítica XI – Socialismo, Ditadura e Venezuela”

Reflexão Sociopolítica VIII

Reflexão Sociopolítica VIII

Todo autoritarismo é ruim. Seja de esquerda, direita, militar ou religioso. Todo ambiente cujo comportamento popular está regido por uma norma única é incapaz de oferecer liberdades às individualidades e às potencialidades de cada um. Isso quer dizer que toda ordem normativa automaticamente excluirá outros comportamentos que não condizem à regra. Toda lei institui um fora-da-lei. Até o momento, tentaram-se inúmeras formas de administrar a organização da sociedade-nação, e todas elas testemunharam a luta pelo monopólio destas ferramentas de poder: a capacidade de fazer leis, a habilidade de transformar o mercado e a possibilidade de controlar os corpos e as mentes. Em outras palavras, as antigas ferramentas de poder social baseados em coerção e violência agora se travestem de sanções econômicas, reformas trabalhistas, reorganizações educacionais, redução da renda e injustiças legais (como discutido anteriormente). Todos os meios que as famílias poderosas têm de se manter no poder e limitar o desenvolvimento das camadas menos privilegiadas e ascensão aos estratos superiores, que exclui desde a classe média até os miseráveis.

 

Quando alguém detém o poder total sobre uma população dentro de um território, então seguramente encontraremos uma educação pública obrigatória cujos métodos e discursos garantam a posição suprema do grupo que detêm o poder. Continue reading “Reflexão Sociopolítica VIII”

Reflexão Sociopolítica IV

Reflexão Sociopolítica IV

Criticar o capitalismo não é criticar dinheiro. Há um sistema alheio à nossa vontade que exige e impõe o uso do dinheiro no nosso dia-a-dia, inclusive de como a gente dá sentido à gente mesmo. Nossa construção é impactada pela estrutura econômica, incluindo aquilo que nos define, fazendo com que capital seja o ponto de entendimento para palavras como: sucesso, classe, pobreza ou riqueza, bem-estar, sociedade, justiça, etc. Criticar o capitalismo não é criticar quem tem dinheiro. O que se critica são os meios que os ricos têm de ficarem mais ricos enquanto a miséria só tem aumentado em um mundo tão cheio de recursos. Está bem ter dinheiro, até porque todo mundo que não tem dinheiro está à margem, ou marginalizado, fora do sistema e, diferente do que se diz, o «pobre» e o «miserável» são reconhecidos como tal. Nenhum pobre é pobre porque quer, e muitos ricos não escolheram ser ricos. Tanto em um grupo como em outro, há uma herança de capitais. E assim como se herdam dinheiro, também se herdam dívidas. Assim como se herdam similaridades físicas, herança genética, também se herdam pensamentos, comportamentos e hábitos, herança cultural.

Perceba que toda boa história tem um fundo de luta de classes: o pobre que entrou para a alta sociedade, a moça rica que se apaixona pelo mecânico e a garota da favela que defendeu sua tese de mestrado, a divisão ideológica de um clã medieval tornando amigos em inimigos, o rico que perdeu tudo, o presidiário que tenta uma nova vida. Há muitos fatores que tornam estas histórias tão interessantes, e é surpreendente o que se pode aprender disso. Primeiro, que em cada tempo de cada história, a justiça parece fazer sentido. Se queimávamos Continue reading “Reflexão Sociopolítica IV”