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Reflexão Sociopolítica XI – Socialismo, Ditadura e Venezuela

Reflexão Sociopolítica XI – Socialismo, Ditadura e Venezuela

“Olha o que o socialismo fez na Venezuela” comentaram amigos meus, como se o epistemologicamente oposto ao capitalismo tivesse que ser perfeito. Mas voltamos à mesma tautologia falsa de culpar a Instituição Social em detrimento da integridade dos indivíduos de uma minoria da qual derivam ações nocivas à maioria reclamante. Acostumamos-nos a pensar dualmente, que o que não é bom necessariamente é ruim. Somado à falta de articulação e de compreensão sobre aquilo que é discutido, as hierarquias morais que legitimam o bem e o mal são pautadas por extremos muito intensos, e incidem na paz e na ordem cotidianas ainda que pouco entendidas pelos indivíduos. Aquele que exige que o socialismo seja perfeito não enxerga os efeitos nocivos do capitalismo desde seu ponto de vista, e é isso que colocamos em questão: a capacidade do intelecto humano de desmembrar os conceitos que são supostamente fechados ainda que caiba a cada um compreendê-los como conseguem. Há elementos benéficos do socialismo e do capitalismo, e que como em toda boa gestão necessita-se encontrar um equilíbrio onde o benefício seja comum e que o ganho não mais seja relativo.

Como já discutimos anteriormente, a política, os partidos políticos, o dinheiro, o mercado, a economia, o socialismo e o capitalismo, não são de todo ruins, e seguramente suas primeiras intenções, ou ao menos o discurso objetivo que se vende, se relacionam de algum modo com um beneficio que seria de acesso generalizado. Continue reading “Reflexão Sociopolítica XI – Socialismo, Ditadura e Venezuela”

Reflexão Sociopolítica VIII

Reflexão Sociopolítica VIII

Todo autoritarismo é ruim. Seja de esquerda, direita, militar ou religioso. Todo ambiente cujo comportamento popular está regido por uma norma única é incapaz de oferecer liberdades às individualidades e às potencialidades de cada um. Isso quer dizer que toda ordem normativa automaticamente excluirá outros comportamentos que não condizem à regra. Toda lei institui um fora-da-lei. Até o momento, tentaram-se inúmeras formas de administrar a organização da sociedade-nação, e todas elas testemunharam a luta pelo monopólio destas ferramentas de poder: a capacidade de fazer leis, a habilidade de transformar o mercado e a possibilidade de controlar os corpos e as mentes. Em outras palavras, as antigas ferramentas de poder social baseados em coerção e violência agora se travestem de sanções econômicas, reformas trabalhistas, reorganizações educacionais, redução da renda e injustiças legais (como discutido anteriormente). Todos os meios que as famílias poderosas têm de se manter no poder e limitar o desenvolvimento das camadas menos privilegiadas e ascensão aos estratos superiores, que exclui desde a classe média até os miseráveis.

 

Quando alguém detém o poder total sobre uma população dentro de um território, então seguramente encontraremos uma educação pública obrigatória cujos métodos e discursos garantam a posição suprema do grupo que detêm o poder. Continue reading “Reflexão Sociopolítica VIII”

Reflexão Sociopolítica IV

Reflexão Sociopolítica IV

Criticar o capitalismo não é criticar dinheiro. Há um sistema alheio à nossa vontade que exige e impõe o uso do dinheiro no nosso dia-a-dia, inclusive de como a gente dá sentido à gente mesmo. Nossa construção é impactada pela estrutura econômica, incluindo aquilo que nos define, fazendo com que capital seja o ponto de entendimento para palavras como: sucesso, classe, pobreza ou riqueza, bem-estar, sociedade, justiça, etc. Criticar o capitalismo não é criticar quem tem dinheiro. O que se critica são os meios que os ricos têm de ficarem mais ricos enquanto a miséria só tem aumentado em um mundo tão cheio de recursos. Está bem ter dinheiro, até porque todo mundo que não tem dinheiro está à margem, ou marginalizado, fora do sistema e, diferente do que se diz, o «pobre» e o «miserável» são reconhecidos como tal. Nenhum pobre é pobre porque quer, e muitos ricos não escolheram ser ricos. Tanto em um grupo como em outro, há uma herança de capitais. E assim como se herdam dinheiro, também se herdam dívidas. Assim como se herdam similaridades físicas, herança genética, também se herdam pensamentos, comportamentos e hábitos, herança cultural.

Perceba que toda boa história tem um fundo de luta de classes: o pobre que entrou para a alta sociedade, a moça rica que se apaixona pelo mecânico e a garota da favela que defendeu sua tese de mestrado, a divisão ideológica de um clã medieval tornando amigos em inimigos, o rico que perdeu tudo, o presidiário que tenta uma nova vida. Há muitos fatores que tornam estas histórias tão interessantes, e é surpreendente o que se pode aprender disso. Primeiro, que em cada tempo de cada história, a justiça parece fazer sentido. Se queimávamos Continue reading “Reflexão Sociopolítica IV”

Reflexão Sociopolítica I

Reflexão Sociopolítica I

Toda discussão política envolve um ponto de inflexão crucial entre a solidariedade distributiva e a legitimidade acumulativa. De um lado as políticas de um Estado forte com programas de distribuição capital -econômico em forma de renda, cultural em forma de desenvolvimento racional e competências metódicas, social em forma de reconhecimento- e do outro um Estado mínimo que não intervenha em um Mercado imponente, cuja liberdade prática favoreça a reconcentração destes mesmos capitais, incluindo os invisíveis, reproduzindo assim a desigualdade. É muito comum, no Brasil atual, a rigidez conceitual na percepção do posicionamento político alheio, especialmente entre as classes trabalhadoras, ainda que estejam de acordo em muitos elementos. Interessante incluir a classe econômica média na classe social trabalhadora, quando esta mesma, no Brasil atual, se objetiva e se autopercebe segundo seu poder aquisitivo. Como profere o sociólogo Jessé Souza, o 1% mais rico, na topografia do social, não se inclui no campo da luta política entre a classe média conservadora que retoma seus espaços e as classes populares que exigem níveis mais altos de cidadania como acesso a capitais como participação política, educação, relações estáveis de vida, renda e reconhecimento social, etc.

No entanto, estamos em crise. E o que se percebe é que não pudemos mudar muita coisa a nível cultural, das raízes escravocratas ainda presentes na prática cotidiana e que a sociedade brasileira insiste em negar. Ainda que a classe média, a nível econômico, tenha se expandido Continue reading “Reflexão Sociopolítica I”