Reflexão Sociopolítica VIII

Reflexão Sociopolítica VIII

Todo autoritarismo é ruim. Seja de esquerda, direita, militar ou religioso. Todo ambiente cujo comportamento popular está regido por uma norma única é incapaz de oferecer liberdades às individualidades e às potencialidades de cada um. Isso quer dizer que toda ordem normativa automaticamente excluirá outros comportamentos que não condizem à regra. Toda lei institui um fora-da-lei. Até o momento, tentaram-se inúmeras formas de administrar a organização da sociedade-nação, e todas elas testemunharam a luta pelo monopólio destas ferramentas de poder: a capacidade de fazer leis, a habilidade de transformar o mercado e a possibilidade de controlar os corpos e as mentes. Em outras palavras, as antigas ferramentas de poder social baseados em coerção e violência agora se travestem de sanções econômicas, reformas trabalhistas, reorganizações educacionais, redução da renda e injustiças legais (como discutido anteriormente). Todos os meios que as famílias poderosas têm de se manter no poder e limitar o desenvolvimento das camadas menos privilegiadas e ascensão aos estratos superiores, que exclui desde a classe média até os miseráveis.

 

Quando alguém detém o poder total sobre uma população dentro de um território, então seguramente encontraremos uma educação pública obrigatória cujos métodos e discursos garantam a posição suprema do grupo que detêm o poder. Continue reading “Reflexão Sociopolítica VIII”

Pensamentos Voláteis II

Pensamentos Voláteis II

“Somos do tamanho da soma das nossas escolhas” ouvi. Como se o mundo fosse de quem corresse mais, de quem vencesse mais o vento a contravento do tempo na rampa rompendo o sucesso. “Mas há um porém”, agreguei. Se fosse apenas de vontade não haveria pobre no mundo. Se de esforço dependesse africano não era faminto. Se apenas realmente o desenvolvimento fosse em prol do quem.

Mas é pró bem, progresso não sobre o bem do bom, mas para o bem dos bens. E os bens tem prazo de validade para ser bons. E tudo se converteu em produto, há validade pra tudo: ferrugem, cansaço, estudo. Continue reading “Pensamentos Voláteis II”

Reflexão Sociopolítica VII

Reflexão Sociopolítica VII

Por que insistir no golpe? Por que insistir na ditadura? Temos uma leviana ideia de golpe como algo brutalmente e militarmente ilegítimo e de ditadura como um ambiente político de extrema violência. Não sei com relação a vocês, mas a realidade me diz que o Brasil vive tudo isto agora, porém não nos formatos que nos acostumamos a acreditar. Escutei recentemente que “Quem votou em Dilma, votou em Temer”. Realmente, no formato das eleições republicanas brasileiras, o voto recai sobre a chapa, sobre o par de pessoas que representam ideologicamente o conjunto de ideias de seu eleitor. No entanto, da forma mais simples possível, quando insistimos em golpe, insistimos no súbito redirecionamento dos programas de governo, os mesmos que fazem parte do conjunto ideológico progressista, ganhador das eleições. Se ainda Temer continuasse os programas redistributivos do Partido dos Trabalhadores, então realmente a população poderia sentir-se mais confortável com o resultado do julgamento do Impeachment no ano passado, já que puniria à suposta culpada por uma infração. A ideologia progressista percebe a educação pública como investimento futuro, já a ideologia neoliberal a vê como um gasto social. Percebe a diferença do pensamento político que se estabeleceu contra a vontade democrática? O que se percebe com as reformas impopulares de viés liberal do novo governo, é que o que se quis não foi fazer justiça a uma possível ilegalidade administrativa da presidenta, mas sim contornar o desenho das políticas públicas no Brasil: frear investigações, reformar as políticas favoráveis à manutenção das elites e do poder e reduzir o acesso das camadas populares aos capitais culturais.

No centro de toda discussão política reside a distributividade dos capitais. Capital não é só dinheiro. Capital é acesso. Educação é tão capital como renda Continue reading “Reflexão Sociopolítica VII”

Reflexão Sociopolítica II

Reflexão Sociopolítica II

Ainda no tema do exercício crítico do nosso discurso, não lidamos com as palavras que falamos, mas sim com a linguagem-pensamento que usamos para dar sentido às nossas ações. Subconscientemente há um discurso implícito no ato de cruzar a rua quando vem alguém “perigoso” em sua direção, ou no ato de favorecer vínculos de amizade com algumas pessoas em detrimento de outras e inclusive na ação impensada de ser ou não educado ao abrir-lhe uma porta ou pegar algo alheio que caiu ao chão. Temos algumas hierarquias sociais construídas e que nos parecem tão naturais quanto a própria desigualdade, a miséria e a pobreza. A naturalização de certos fatos, mesmo que injusta e antinaturalmente perpetrados, é o que anula o ato de pensar criticamente esses fatos sociais, especialmente quando esta “naturalidade” é exatamente o status quo simbólico do senso comum projetado pela estrutura de poder econômico: nacionaliza um sentimento de ameaça no campo econômico privado e de indiferença nos campos social e político. Enriquecer vorazmente está bem, porém você sabe como se enriquece? Os meios de concentração e acumulação de capital são diferentes, varia entre as instituições e os indivíduos, além dos setores em que operam. Por exemplo: um reajuste salarial aumenta a renda de um presidente, juiz ou deputado, assim como a ampliação de seus auxílios e benefícios. A falta tributária sobre o lucro da pessoa jurídica permite mais renda ao empresário, assim como o sucateamento, a precariedade, e o baixo valor do trabalho que também incidem sobre o aumento capital do empregador. No caso dos bancos, as políticas financeiras atuam diretamente na evolução da renda da elite bancária, o que significa que uma baixa nos juros e um aumento do crédito resultam em menos renda aos bancários (sim, que ganham dinheiro dormindo) e maior distribuição de renda à população, o que injeta capital no mercado.

Foi Henry Ford quem disse: “Está bem que as pessoas da nação não compreendam nossos sistemas bancário e monetário, pois se soubessem, creio que haveria uma Continue reading “Reflexão Sociopolítica II”