Category: Pensamentos Voláteis

Pensamentos Voláteis III

Pensamentos Voláteis III

Sentei e olhei o mundo passar enquanto quem girava era eu. Não podia ficar de pé e o tempo passava a passar rápido, do passado ao futuro como se não houvesse presente que me deixasse feliz. Contente eu ri. Triste eu chorei e então vi que neste rio de lágrimas mora um ancião com desejo de reviver-se. Quem me dera! Mas não me deram todo. O que deram foi fruto do esforço, não da destreza vazia. Eu ria. Tive tudo. Tiraram-me coisas, mas sempre fica o necessário para fazer-nos crescer de novo. É o ciclo que nos espera novamente mais adiante.

E hoje, não em casa, mas em meu lugar feliz me deixo levar pelo que posso ter. E é triste constatar que o que tens te define perante os outros que também significam à altura de suas possessões. Não se possui o amor, só se tem. E quase nada Continue reading “Pensamentos Voláteis III”

Pensamentos Voláteis II

Pensamentos Voláteis II

“Somos do tamanho da soma das nossas escolhas” ouvi. Como se o mundo fosse de quem corresse mais, de quem vencesse mais o vento a contravento do tempo na rampa rompendo o sucesso. “Mas há um porém”, agreguei. Se fosse apenas de vontade não haveria pobre no mundo. Se de esforço dependesse africano não era faminto. Se apenas realmente o desenvolvimento fosse em prol do quem.

Mas é pró bem, progresso não sobre o bem do bom, mas para o bem dos bens. E os bens tem prazo de validade para ser bons. E tudo se converteu em produto, há validade pra tudo: ferrugem, cansaço, estudo. Continue reading “Pensamentos Voláteis II”

Pensamentos voláteis I

Pensamentos voláteis I

Há quem defina a perfeição por sua matéria. O objeto perfeito, a pessoa perfeita, o lugar ou o momento perfeito. No entanto se crê entre a maioria que nada é perfeito na realidade, e que utopias são puramente teóricas. A perfeição é o objeto, não o objetivo. Ora bolas, se nada é perfeito, me contentarei com o muito bom ou quase perfeito, não é assim que se pensa? Aquilo que muitas vezes é “menos pior” ganha eleições contra um horrível. Uma experiência medíocre ganha de um momento sumamente imperfeito. Há uma hierarquia abstrata, que divide e que aparta socialmente, e não por ser simbólica faz dela menos real na prática. Isso não é prosa poética. É filosofia do dia a dia. E isso diz muito sobre quem já está sendo, e o quê e quem ser deveria.

Na ânsia de encontrar a felicidade, conceitos se nublam no emaranhado de pensamentos e sentidos que damos às coisas. Felicidade de uns é paz, de outros Continue reading “Pensamentos voláteis I”