Pensamentos Voláteis II

Pensamentos Voláteis II

“Somos do tamanho da soma das nossas escolhas” ouvi. Como se o mundo fosse de quem corresse mais, de quem vencesse mais o vento a contravento do tempo na rampa rompendo o sucesso. “Mas há um porém”, agreguei. Se fosse apenas de vontade não haveria pobre no mundo. Se de esforço dependesse africano não era faminto. Se apenas realmente o desenvolvimento fosse em prol do quem.

Mas é pró bem, progresso não sobre o bem do bom, mas para o bem dos bens. E os bens tem prazo de validade para ser bons. E tudo se converteu em produto, há validade pra tudo: ferrugem, cansaço, estudo. Técnica ultrapassada, novas tecnologias, educação e casamento, cosméticos e cirurgia, educação e casamento tem data pra acabar. Será que quem escolhe é o máximo da gente ou somente o limite daquilo que meu entorno deixou? Será que somos realmente o que seríamos se o mundo não fora tão desigual?

“Somos do tamanho das nossas escolhas dentro das ferramentas que nos dão”, corrigi. Oportunidade se detém na porta da favela sem importar determinação. E persisti que o legal não é justo. O normal é absurdo. E só ganha quem tem. Quem tem grana tem ganha. Quem tem grana tem tempo. Quem tem tempo tem tudo. Tempo é dinheiro. E se não há ditadura, tente não trabalhar. Se conseguistes viver dos teus sonhos, te felicito. És um entre mil zonzos a vagar, condicionado pelo ar.

Fizeram do trabalho um mercado. O homem é recurso. O capital é dinheiro. Ambição não tem relação com abuso. Poder é invento. O mundo não muda mas somos tão diferentes de ontem! A resistência à mudança é o lado conservador mais aparente do homem, já que a mudança é a única certeza de lado de fora da lata de conservados. Quem não tem não tem nem como. Nem pra comer nem pouco mar. Quem nunca teve não sabe. Quem tudo teve não cabe e prefere desreconhecer. Quem não toma partido não ganha, se deixa levar para o lado que apanha e se perde sem se conhecer.

Quando vês que o legal não é justo, grite. Quando as instituições te falham a garantia de ‘ordem e progresso’, se exalte! Quando o mal vislumbrar sucesso então guerreie! Pois então desobedecer será o ato mais civil possível de um país que clama e agoniza sob um manto de regresso. Se não há garantia não há de haver dia em paz sem sucesso. Se não há valentia do povo ante o abuso da máquina então a nação-sociedade perdeu pro Estado-sistema nesta guerra invisível, nada fictícia de efeitos reais. Haverá então de haver monarquia onde o pacto burguês impera. A violência é rentável, a justiça está comprável e a política, que é tão linda, mas que apenas conhecemos suas faces de guerra.

Não é sobre a média, é sobre o todo. Não é sobre classe média, é sobre quem ganha dormindo. Não é sobre quem tem dinheiro porque trabalha, é sobre quem cria o pobre e de miserável o pinta. Não é sobre quem é de direita, é sobre quem é corrupto independente de partido. Não é sobre quem é de esquerda, é sobre quem é corrupto independente de partido. É sobre um sistema já corrompido comandado por quem manda sem obedecer às regras. Não há doze anos, não há vinte nem cinquenta. É histórico que a desigualdade maquiavelicamente se espalhe. É um sistema contra um povo que está à margem da loucura, em sua inércia apatia contra uma violência de sentidos, de medo e de olvido, só presentes em ditadura. Mas está tudo bem. Não pense em crise, trabalhe!

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